Sábado , 09 de Fevereiro DE 2013

CARNAVAL CARIOCA: A OUTRA FACE

Carnaval Carioca: A outra face

 

Por : Bruno Rocha

 

 

 

  

 

 

Um dos eventos mais esperados ao longo do ano é o carnaval carioca. Pessoas anseiam pelos desfiles das escolas de samba na sapucaí,turistas se vangloriam pelo fato de estarem indo passar o carnaval no rio, deixando os que não vem com muita água na boca. Porém, o carnaval carioca não ser resume a sapucaí. Temos o carnaval de rua com os seus muito esperados blocos.
Aí é que encontramos a outra faceta do carnaval carioca, que não se atem ao simples brincar do carnaval. Para começar, nesses desfiles de blocos, apesar da intensa campanha para que urinemos nos banheiros químicos, deparamos com um fenômeno característicos desse cortejo - os'' oásis de urina'', que nada mais são que ciclos de urina espalhados pelas ruas, sem falar na modalidade de embebedar as plantas, as coitadinhas, que nada fizeram, são constantemente regadas ora com cerveja, ora com urina, ou qualquer outro líquido que esteja a mão,mas para não dizer que não são regadas com o nosso precioso liquido, elas levam a descarga do gelo que já se derreteu no isopor .

Mas não só de oásis de urina vive o cortejo, vale salientar que mensagens de combate á homofobia, racismo entre outras também estão presentes, destaco aqui uma no combate á homofobia" travestir-se o no carnaval é sinônimo de diversão,mas aquele que o faz o ano inteiro é alvo de agressão''.

Por isso um apelo: Prezados foliões,nesse carnaval eliminemos os oásis de urina, reguemos as plantinhas só com água e brinquemos o carnaval em paz .

publicado por brpalavrassoltas às 22:21
Quarta-feira , 25 de Julho DE 2012

Emoções

A Fé em Deus é uma emoção, e emoções não se baseiam na ciência.E se não se pode quantificar ou provar que algo existe,então na minha mente não existe.

publicado por brpalavrassoltas às 01:45
Quinta-feira , 14 de Junho DE 2012

ÉPOCA DOS ILUSIONISTAS

ÉPOCA DOS ILUSIONISTAS

 

                          Por: Bruno Rocha

 

Começo conceituando o lisionismo á luz do Wikipedia, que o define como arte cénica de entreter e sugestionar uma audiência criando ilusõesque confundem e surpreendem, geralmente por darem a impressão de que algo impossível aconteceu, como se o executante tivesse poderes sobrenaturais. Não querendo generalizar, pois nem todos são iguais,mas estamos nos aproximando da época em que os ilusionistas estão à solta, quer no seu bairro com comícios festa,onde propoem mundos e fundos em troca de voto, ou nos meios de comunicação social repetindo o mesmo fato. Num show de ilusionismo inocente o público alvo são as crianças, que devido a sua inocência ainda não tem a capacidade para ver que tal demonstração é uma ilusão,mas os nossos ilusionitas aqui em questão, o público é outro, os adultos, que apesar de em tese terem a capacidade de entender que determinados atos tem como escopo final a obtenção do seu voto, e que determinadas promessas não passam de pura e simples demagogia, deixam-se levam mesmo assim ´´inocentemente´´ou fanáticamente , pois alguns ficam cegos com os logotipos dos ilusionistas e nãp se apercebem do truque.

 

Assim , caro público cativo destes mestres da ilusão , prestem atenção nos truques,para que depois não seja tarde demais.O destino que sua ilha tomará nos próximos 4 anos dependerá  deles, use a razão na hora do seu voto .  

publicado por brpalavrassoltas às 19:00

Manifesto pela Humildade

Manifesto pela Humildade

                      

                             Por: Bruno Rocha

 

 

 

 

 

Todas as vezes que a seleção nacional(Cabo Verde)começa a disputa por um lugar na fase final, quer pro mundial ou para a Can(copa africana das nações),os caboverdianos, começam a alimentar as esperanças de ver a nossa equipa num desses grandes palcos. E tal esperança

 ganhou força quando o ´´ilustre´´ selecionador nacional teve a audácia de afirmar que ´´ Cabo Verde pode vencer qualquer seleção Africana´´.Sejamos imparciais, deixemos de lado nosso patriotismo  e caíamos na realidade dura e crua, nós nunca nos qualificamos para nenhuma competição internacional,o nosso reterospecto com as potências Africanas é negativo e sem falar que a quando jogamos com seleções hipotéticamente inferiores á nossa,perdemos quase sempre fora de casa, depois de as termos vencido em casa por 2 ou 3 golos de diferença. Mas de onde veio então essa ´´confiança ´´ do nosso selecionador? Não me venham dizer que foi pelo fato de termos vencido a fraquíssima seleção do Madagáscar fora de portas, ou por termos ´´goleado´´ os juniores do Sporting, campeões porTugueses da categoria; que agora somos iguais á Tunísia, Egito, Camarões ou Costa do Marfim, sem mencionar os outros.

Assim,caros crioulos, não nos deixemos levar pelas palavras do nosso já referido ´´ilustre´´ selecionador, pois estaremos caindo de novo numa ilusão, cujo desfecho todos já conhecemos, assistir os outros jogarem pela televisão. Pois já dizia Aristóteles ´´ o ignorante afirma, o cético desconfia, mas o homem de bom senso reflete´´.

 

 

publicado por brpalavrassoltas às 16:47
Sábado , 09 de Junho DE 2012

MEGASIA

MEGASIA

 

               Por: Bruno Rocha

 

 

  

O que seria a hipocrisia? A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Mas não estou aqui para fazer uma reflexão etimológica sobre o termo, mas sim demonstrar a sua presença e aceitação pela população. Que atire a primeira pedra quem nunca fez uma aposta, mesmo que insignificante; ou mesmo que nunca pensou em vencer um grande premio num desses joguinhos de banca ou mesmo das lotéricas?Mas é o primeiro a criticar os apontadores do jogo do bicho, os rotulando de vagabundos e aproveitadores da ingenuidade alheia Isso nada mais é que um exemplo clássico de ato hipócrita; vejamos, todos fazem a sua ‘’fezinha’’ na famosa megassena, e julgam aqueles que fazem o mesmo no jogo do bicho, (não que eu esteja fazendo apologia à prática), trazendo a seu favor a desculpa que é dada pelo governo de que jogos de azar são proibidos, logo jogando o bicho estarei cometendo uma infração, sujeitando-me a penalidades. Mas então o que caracteriza a sorte? Se em ambos os jogos apostamos em números e a probabilidade de vencer é a mesma? Aí, paramos e refletimos, ah, mas é claro a Megassena é regularizada pelo Governo e o bicho não. Digo e repito exemplo clássico de hypocrisa, denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação.

publicado por brpalavrassoltas às 22:35
Sexta-feira , 08 de Junho DE 2012

ESCRAVOS DO COLETIVO

ESCRAVOS DO COLETIVO

 

                        Por: Bruno Rocha

 

 

 

  

Já lá vão os anos em que vivíamos sob o regime escravocrata... Será?De uns tempos para cá comecei a reparar que determinadas pessoas, ‘’formam’’ as suas opiniões com base no pensamento coletivo do meio em que se encontram. Embora sejamos seres eminentemente sociais, também temos que ter um pensamento coletivo?

Muitos dizem que a nossa personalidade se forma por aquilo que representamos, falamos , escrevemos, ou seja, as nossas expressões, aquilo que nos torna únicos, nos diferenciando uns dos outros. Assim sendo, podemos dizer que,se pensamos do jeito que o nosso meio pensa, sem ao menos indagar, somos seres sem personalidade?Sob essa ótica sim. Entendamos,se nós vivemos  em uma sociedade extremamente racista, preconceituosa,e nós agimos do mesmo modo, simplesmente porque nós fomos criados assim,então, somos sim personalidade.

Não podemos culpar o coletivo pelas nossas atitudes, possuímos o livre arbítrio, que é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos. Assim sendo não poderei aceitar como ‘’ desculpa’’do  individuo que não senta do meu lado num banco de ônibus por eu ser negro,ou daquele que ofende um homossexual   porque é crente em Deus e segundo as escrituras e os ensinamentos que recebeu homem só deve ficar com mulher e vice versa, o fato de que ele foi educado assim. Assim sendo a conclusão é uma só, trata-se de um ser que não possui nem livre arbítrio e nem personalidade.

Sejamos únicos, formemos nossas próprias opiniões e nunca coloquemos a causa dos nossos preconceitos no meio em que fomos criados.

 

 

 

 

publicado por brpalavrassoltas às 05:22
Quinta-feira , 17 de Novembro DE 2011

Gota D'Água

O Movimento Gota D’ Água surgiu da necessidade de transformar indignação em ação. Queremos mostrar que o bem é um bom negócio e envolver a sociedade brasileira na discussão de grandes causas que impactam o nosso país. Utilizamos nossa experiência em comunicação para dar voz aqueles que se dedicam a estudar o impacto que as decisões de hoje terão no amanhã. O Movimento apoia soluções inteligentes, responsáveis, conscientes e motivadas pelo bem comum. O Gota D’Água é uma ponte entre o corpo técnico das organizações dedicadas às causas socioambientais e os artistas ativistas.

A primeira campanha do movimento discute o planejamento energético do país pela análise do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, a mais polêmica obra do PAC. O braço técnico desta campanha é formado por especialistas ligados a duas organizações de reconhecida importância para a causa: "Movimento Xingu Vivo Para Sempre" e o "Movimento Humanos Direitos".

A missão da Gota D’Água é comover a população para causas socioambientais utilizando as ferramentas da comunicação em multiplataforma – Hoje existem inúmeros caminhos de se produzir conteúdo relevante para atingir e envolver as mais diversas audiências nos mais diferentes meios. Nossa proposta é usar estas inovações para seduzir e mobilizar a sociedade para causas socioambientais.

Conselho: Maria Paula Fernandes, Sergio Marone, Marcos Prado, Juliana Helcer, Enrico Marone, Ana Abreu, Sérgio Maurício Manon, Tica Minami, Ricardo Rezende, Luciana Soares de Souza, Ana Luiza Chafir, Thiago Teitelroit, Maria Paula Fidalgo, Luiza Figueira de Mello, Paulo Fernando Gonçalves, Carolina Kuenerz, Fernanda Mayrink, Miguel Pinto Guimarães.

publicado por brpalavrassoltas às 02:16
Segunda-feira , 24 de Outubro DE 2011

Ritos Corporais entre os Nacirema

Ritos Corporais entre os Nacirema

“Ritos Corporais entre os Nacirema” – MINER, Horace.  A. K. Romney e P. L. Vore (eds.): You and Others – readings in Introductory Antropology. Winthrop Publishers, Cambridge 1973, pp. 72-76 (Tradução: Selma Erlich).

 

 

                O antropólogo está tão familiarizado com a diversidade das formas de comportamento que os diferentes povos apresentam em situações semelhantes, que é incapaz de surpreender-se mesmo em face dos costumes mais exóticos.

                De fato, embora nem todas as combinações de comportamento logicamente possíveis tenham sido descobertas em alguma parte do mundo, o antropólogo pode suspeitar que elas devam existir em alguma tribo ainda não descrita. Este aspecto foi expresso, com relação à organização clânica, por Murdock (1949-71). Deste ponto de vista, as crenças e práticas mágicas dos Nacirema apresentam aspectos tão inusitados que parece apropriado descrevê-los como um exemplo dos extremos a que pode atingir o comportamento humano.

                Foi o professor Linton, há vinte anos atrás (1936-326), o primeiro a chamar a atenção dos antropólogos para o ritual dos Nacirema, mas a cultura desse povo permanece insuficientemente compreendida ainda hoje. Trata-se de um grupo norte-americano que vive no território entre os Cree do Canadá, os Yaqui e Tarahumare do México e os Carib e Awarak das Antilhas. Pouco se sabe sobre sua origem, embora a tradição relate que vieram do leste. Conforme a mitologia dos Nacirema, um herói cultural, Notgnihsaw, deu origem a sua nação; ele é, por outro lado, conhecido por duas façanhas de força – ter atirado um colar de conchas usado pelos Nacirema como dinheiro, através do rio Po-To-Mac e ter derrubado uma cerejeira na qual residia o Espírito da Verdade.

                A cultura Nacirema caracteriza-se por uma economia de mercado altamente desenvolvida, que evoluiu em um rico habitat natural. Apesar do povo dedicar muito do seu tempo às atividades econômicas, uma grande parte dos frutos destes trabalhos e uma considerável porção do dia são dispendidos em atividades rituais. O foco destas atividades é o corpo humano, cuja aparência e saúde assomam como o interesse dominante no ethos deste povo. Embora tal tipo de interesse não seja, por certo, raro, seus aspectos cerimoniais e a filosofia a ele associada são singulares.

                A crença fundamental subjacente a todo o sistema parece ser a de que o corpo humano é repugnante e que sua tendência natural é para a debilidade e a doença. Encarcerado em tal corpo, a única esperança do homem é desviar estas características através do uso das poderosas influências do ritual do cerimonial. Cada moradia tem um ou mais santuários devotados a este propósito. Os indivíduos mais poderosos desta sociedade têm muitos santuários em suas casas, e, de fato, a alusão à opulência de uma casa, muito freqüentemente, é feita em termos do número de tais centros rituais que possua. Muitas casas são construções de madeira, toscamente pintadas, mas as câmaras de culto das mais ricas paredes de pedra. As famílias mais pobres imitam as ricas aplicando placas de cerâmica as paredes de seu santuário.

                Embora cada família tenha pelo menos um de tais santuários, os rituais a eles associados não são cerimônias familiares, são cerimônias privadas e secretas. Os ritos, normalmente, são discutidos apenas com as crianças e, neste caso, somente o período em que estão sendo iniciadas em seus mistérios. Eu pude, contudo estabelecer contato suficiente com os nativos para examinar estes santuários e obter descrições dos rituais.

                O ponto focal do santuário é uma caixa ou cofre embutido na parede. Neste cofre são guardados os inúmeros encantamentos e poções mágicas sem os quais nenhum nativo acredita que poderia viver. Estes preparados são conseguidos através de uma série de profissionais especializados, os mais poderosos dos quais são os médicos-feiticeiros, cujo auxílio deve ser recompensado com dádivas substanciais. Contudo, os médico-feiticeiros não fornecem a seus clientes poções de cura, só decidem quais devem ser seus ingredientes e então os escrevem em uma linguagem antiga e secreta. Esta escrita é entendida apenas pelos médicos-feiticeiros e pelos ervatários, os quais, em troca de outra dádiva, providenciam o encantamento necessário.

                Os Nacirema não se desfazem do encantamento após seu uso, mas o colocam na caixa-de-encantamentos do santuário doméstico. Com estas substâncias mágicas são específicas para certas doenças e as doenças do povo, reais ou imaginárias, são muitas, a caixa-de-encantamentos está geralmente a ponto de transbordar. Os pacotes mágicos são tão numerosos que as pessoas esquecem quais são suas finalidades e temem usá-los de novo. Embora os nativos sejam muito vagos quanto a este aspecto, só podemos concluir que o que os leva a conservar todas as velhas substâncias é a idéia de que sua presença na caixa-de-encantamentos, em frente à qual são efetuados os ritos corporais, irá de alguma forma, proteger o adorador.

                Abaixo da caixa-de-encantamentos existe uma pequena pia batismal. Todos os dias cada membro da família, um após o outro, entra no santuário, inclina sua fronte ante a caixa-de-encantamentos, mistura diferentes tipos de águas sagradas na pia batismal e procede a um breve rito de ablução. As águas sagradas vêem do Templo da Água da comunidade, onde sacerdotes executam elaboradas cerimônias para tornar o líquido ritualmente puro.

                Na hierarquia dos mágicos profissionais, logo abaixo dos médicos-feiticeiros no que diz respeito ao prestígio, estão os especialistas cuja designação pode ser traduzida por “sagrados-homens-da-boca”. Os Nacirema tem um horror quase que patológico, e ao mesmo tempo uma fascinação, com relação à cavidade bucal, cujo estado acreditam ter uma influência sobrenatural em todas as relações sociais. Acreditam que, se não fosse pelos rituais bucais, seus dentes cairiam, suas gengivas sangrariam, suas mandíbulas se contrairiam, seus amigos os abandonariam e seus namorados os rejeitariam. Acreditam também na existência de uma forte relação entre as características orais e as morais: existe, por exemplo, uma ablução ritual da boca para as crianças que se supõe aprimorar sua fibra moral.

                O ritual de corpo executados por cada Nacirema diariamente inclui um rito bucal. Apesar de serem tão escrupulosos no cuidado bucal este rito envolve uma prática que choca o estrangeiro não iniciado, que só pode considerá-lo como revoltante. Foi-me relatado que o ritual consiste na inserção de uma pequeno feixe de cerdas de porco na boca, juntamente com certos pós mágicos e então em movimentá-lo numa série de gestos altamente formalizados.

                Além do ritual bucal privado, as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano. Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos consistindo de brocas, furadores, sondas e agulhões. O uso destes objetos no exorcismo dos demônios bucais envolve para o cliente, uma tortura ritual quase inacreditável. O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e, usando os instrumentos acima citados, alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos dentes. Nestas cavidades naturais nos dentes, grandes seções de um ou mais dentes são extirpados para que a substância sobrenatural possa ser aplicada. Do ponto de vista do cliente, o propósito destas aplicações é tolher a degeneração e atrair amigos. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdote-da-boca ano após ano, são obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar.

                Esperamos que quando for realizado um estudo completo dos Nacirema, haja um inquérito cuidadoso sobre a estrutura de personalidade destas pessoas. Basta observar o fulgor nos olhos de um sacerdote-da-boca, quando ele enfia um furador num nervo exposto, para se suspeitar que este rito envolve uma certa dose de sadismo. Se isto puder ser comprovado, teremos um modelo muito interessante, pois a maioria da população demonstra tendências masoquistas bem definidas. Foi a estas tendências que o Prof. Linton se referiu na discussão de uma parte específica do rito corporal que é desempenhada apenas por homens. Esta parte do rito envolve raspar e lacerar a superfície da face com um instrumento afiado. Ritos especificamente femininos têm lugar apenas quatro vezes durante cada mês lunar, mas o que lhes falta em frequência é compensado em barbaridade. Como parte desta cerimônia, as mulheres assam suas cabeças em pequenos fornos por cerca de uma hora. O aspecto teoricamente interessante é que um povo que parece ser preponderantemente masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos.

                Os médicos-feiticeiros tem um templo imponente ou “latipso”, em cada comunidade de certo porte. As cerimônias mais elaboradas, necessárias para tratar de pacientes muito doentes só podem ser executados neste templo. Estas cerimônias envolvem não apenas o taumaturgo, mas um grupo permanente de vestais que, com roupas e toucados específicos, se movimentam serenamente pelas câmaras do templo.

                As cerimônias “latipso” são tão cruéis que é de surpreender que uma boa proporção de nativos realmente doentes que entram no templo se recuperam. Sabe-se que crianças pequenas, com uma doutrinação ainda incompleta resistem às tentativas de levá-las ao templo porque “é lá que se vai para morrer”. Apesar disto, adultos doentes não apenas querem mas anseiam por sofrer os prolongados rituais de purificação, quando possuem recursos para tanto não importa quão doente esteja o suplicante ou qual seja a emergência. Os guardiãs de muitos templos não admitirão um cliente se ele não puder dar uma dádiva valiosa para a administração. Mesmo depois de ter-se conseguido a admissão, e sobrevivido às cerimônias, os guardiãs não permitirão ao neófito abandonar o local se não fizer ainda outra doação.

                O suplicante que entra no templo é primeiramente despido de todas as suas roupas. Na vida cotidiana o Nacirema evita a exposição de seu corpo e das suas funções naturais. As atividades excretoras e o banho, enquanto parte dos ritos corporais, são realizados apenas no segredo do santuário doméstico. Da perda súbita do segredo do corpo quando da entrada no “latipso”, podem resultar traumas psicológicas. Um homem cuja própria esposa nunca o viu em um ato excretor acha-se subitamente nu e auxiliado por uma vestal, enquanto executa suas funções naturais em um recipiente sagrado. Este tipo de tratamento cerimonial é necessário porque os excreta são usados por um adivinho para averiguar o curso e a natureza da enfermidade do cliente. Clientes do sexo feminino, por sua vez, tem seus corpos nus submetidos ao escrutínio, manipulação e aguilhoadas dos médicos-feiticeiros.

                Poucos suplicantes no templo estão suficientemente bons para fazer qualquer coisa além de jazer em duros leitos. As cerimônias diárias, como os ritos sacerdote-da-boca, envolvem desconforto e tortura. Com precisão ritual, as vestais despertam seus miseráveis fardos a cada madrugada e os rolam em seus leitos de dor enquanto executam abluções, com os movimentos formais nos quais estas virgens são altamente treinadas. Em outras horas, elas inserem bastões mágicos na boca do suplicante ou o forçam a engolir substâncias que se supõe serem curativas. De tempos em tempos o médico-feiticeiro vem ver seus clientes e espeta agulhas magicamente tratadas em sua carne.

O fato de que estes cerimônias de templo possam não curar, e possam mesmo matar o neófito, não diminui de forma alguma a fé das pessoas no médico-feiticeiro.

                Resta ainda um outro tipo de profissional, conhecido como um “ouvinte”. Este doutor-bruxo tem o poder de exorcizar os demônios que se alojam nas cabeças das pessoas enfeitiçadas. Os Naciremas acreditam que os pais enfeitiçam seus próprios filhos; particularmente, teme-se que as mães lancem uma maldição sobre as crianças enquanto lhes ensinam os ritos corporais secretos. A contra-mágica do doutor-bruxo é inusitada por sua carência de ritual. O paciente simplesmente conta ao “ouvinte” todos os seus problemas e temores, principiando pelas dificuldades iniciais que consegue rememorar. A memória demonstrada pelos Nacirema nestas sessões de exorcismo é verdadeiramente notável. Não é incomum um paciente deplorar a rejeição que sentiu, quando bebê, ao ser desmamado, e uns poucos indivíduos reportam a origem de seus problemas aos efeitos traumáticos de seu próprio nascimento.

                Como conclusão, deve-se fazer referências a certas práticas que têm suas bases na estética nativa, mas que decorrem da aversão perversiva ao corpo natural e suas funções. Existem jejuns rituais para tornar as magras pessoas gordas, e banquetes cerimoniais para tornar gordas pessoas magras. Outros ritos são usados para tornar maiores os seios das mulheres que os têm pequenos, e torná-los menores quando são grandes. A insatisfação geral com o tamanho do seio é simbolizada no fato da forma ideal estar virtualmente além da escala de variação humana. Umas poucas mulheres, dotadas com um desenvolvimento hipermamário, são tão idolatradas que podem levar uma boa vida indo de cidade em cidade e permitindo aos embasbacados nativos, em troca de uma taxa, contemplarem-nos.

                Já fizemos referências ao fato de que as funções excretoras são ritualizadas, rotinizadas e relegadas ao segredo. As funções naturais de reprodução são, da mesma forma, distorcidas. O intercurso sexual é tabu enquanto assunto, e é programado enquanto ato. São feitos esforços para evitar a gravidez, pelo uso de substâncias mágicas ou pela limitação do intercurso sexual e certas fases da lua. A concepção é na realidade, pouco freqüente. Quando grávidas, as mulheres vestem-se de modo a esconder seu estado. O parto tem lugar em segredo, sem amigos ou parentes para ajudar, e a maioria das mulheres não amamenta os seus rebentos.

                Nossa análise da vida ritual dos Nacirema certamente demonstrou ser este povo dominado pela crença na magia. É difícil compreender como tal povo conseguiu sobreviver por tão longo tempo sob a carga que impôs sobre si mesmo. Mas até costumes tão exóticos quanto estes aqui descritos ganham seu real significado quando são encarados sob o ângulo relevado por Malinowski quando escreveu (1948-70):

“Olhando de longe e de cima, de nossos altos postos de segurança na civilização desenvolvida, é fácil perceber toda a crueza e irrelevância da magia. Mas sem seu poder e orientação, o homem primitivo não poderia ter dominado, como o fez, suas dificuldades práticas, nem poderia o homem ter avançado aos estádios mais altos da civilização.”

publicado por brpalavrassoltas às 11:28
Sexta-feira , 16 de Setembro DE 2011

Uma Imagem, mil acepções

 

 Dizem que  uma imagem vale mais do que mil palavras.O que poderemos dizer então da supra ilustrada,dando especial atenção ao subtítulo do livro. Na minha acepção, o autor está querendo nos dizer que o que nos difere uns dos outros é a nossa impressão digital e não a cor da nossa pele, pois somos todos seres humanos,mas com um toque que nos difere uns dos outros, a impressão digital,porque no fim das contas todos temos uma mesma cor - o vermelho, que é a cor do nosso sangue, sejamos, brancos, pretos , amarelos ou vermelhos.
Proponho que todos os meus leitores, façam uma interpretação desta imagem e deixem o seu comentário.
 

 

 

publicado por brpalavrassoltas às 04:47
Sábado , 27 de Agosto DE 2011

ILHA DAS FLORES

                                                                                                  ILHA DAS FLORES

                                                                                            

 

                                                                                                                         Por: Bruno Rocha e Roberta de Araujo Carvalho 

 

REFLEXÃO SOBRE O DOCUMENTÁRIO “ILHA DAS FLORES”, DE JORGE FURTADO, 1989

 

 

 

 

 



            Lembro a primeira vez que assisti “Ilha das Flores”. Era muito mais nova, estava na escola, mas a sensação ainda é nítida. Fiquei chocada, inconformada, me sentindo totalmente impotente perante aquela maldade, e profundamente triste. Agora, depois de tanto tempo, mais velha, e talvez com mais senso crítico, assisti de novo. E as sensações ainda são as mesmas, ainda bem! Tenho muito medo de um dia presenciar algo semelhante e não sentir nada. Me sentir anestesiada, conformada com as conseqüências da desigualdade social, e com a miséria. Quando vejo alguém pegando comida do lixo na rua, ou uma criança visivelmente sob efeito de drogas, ou outras situações que de alguma forma nos remetem aos seres humanos que vêm depois dos porcos na linha da prioridade, fico sempre estarrecida, me sentindo mal e chocada. Mas, o que faço para mudar essa situação? Como reajo ao meu próprio sofrimento perante a tudo isso? Na maioria das vezes, não reajo. E isso, é o que realmente me incomoda atualmente. Sentir mal assim como eu, a grande maioria das pessoas sente. Mas fazer algo que não seja imediatista e puramente para aliviar a sensação de mal estar (como dar dinheiro, ou comida, ou roupas), são pouquíssimos. Se agíssemos tanto quanto discutimos e elaboramos teorias acerca da miséria, do capitalismo e suas conseqüências, da desigualdade social e tudo que permeia estas situações, teríamos mudanças mais reais na busca pelo fim da perversidade deste sistema, que não só aceita, como precisa da pobreza, da alienação, da miséria, da falta de saúde e educação para continuar existindo. Terminada essa reflexão, discorro um pouco agora sobre o documentário Ilha das Flores, e minhas percepções.

            O documentário nos mostra a dura realidade enfrentada pelo ser humano mediante as consequências das inovações industriais e da miséria. A ganância pelo poder e a falta de consciência geradas pelo sistema capitalista, desenvolvem  seres humanos egocêntricos que fingem não ver a realidade da exploração do homem sobre o homem, e esquecem da solidariedade e afeto entre seus semelhantes. Observa-se  a lamentável condição de sub-existência dos habitantes da ilha das Flores, seres humanos que numa escala de prioridade, estão depois dos porcos, mostrando que a condição de ser humano (“telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor”) não significa nada, nada mesmo. O que realmente significa algo, é o dinheiro, pedaço de papel que dita as regras. Os seres humanos que vêm depois dos porcos na hora de se alimentarem não têm dinheiro, nem dono e são livres. Livres? A liberdade, para os habitantes da ilha das Flores não traz a felicidade esperada, em sentido inverso traz a miséria e a condição inferior à dos porcos, por estar diretamente ligada aos fatores socioeconômicos que o ser humano possui ou não possui.

            Outra questão, muito bem ilustrada pelo documentário, é o processo de trabalho, e as interligações e desdobramentos de uma atividade realizada para gerar lucro: o processo do cultivo e venda do tomate. Tomando o tomate como centro, o filme discorre sobre matéria-prima, mão de obra, empregados e empregadores, condições de trabalho, a busca pelo lucro, comércio, produtos e resíduos. Ao observar o processo do tomate, é possível refletir sobre outros processos de trabalho, outros produtos, outras situações e condições, já que a lógica da venda de um bem, o lucro, o processo capitalista é o mesmo para os mais diversos serviços.

            Pensemos na saúde. Atualmente, a saúde é vendida, é um bem, tem valor, gera lucro (muito lucro!). Quem pode pagar, pode recorrer a atendimento particular, tido como o melhor. Quem não pode pagar, recorre ao serviço público. O serviço público de saúde no Brasil, é fundamentado teoricamente em princípios muito bons, coerentes, justos. Teoricamente... na prática, infelizmente é bem diferente. A perversidade é tanta, que o raciocínio é manter a saúde pública ruim, para que a população prefira pagar por algo que deveria ser um direito, e gerar lucro, lucro, lucro!

            E finalmente, comparando o documentário com a sociedade: como já foi dito, a trajetória do tomate representa as implicações e processos de trabalho. A vendendora de perfumes representa a classe alta e média, que trabalha para poder consumir, que vive inserida na lógica capitalista e a perpetua. Os porcos representam o proletariado, sendo seus “donos” os empregadores. Estes, conseguem obter a comida fornecida pelos donos,  que representa um salário extremamente baixo e péssimas condições de vida. E a população da Ilha das Flores, que vêm depois dos porcos, relaciona-se justamente aos excluídos, marginalizados, miseráveis de nossa sociedade, que não têm espaço para se inserir.

            O documentário coloca em pauta a discussão acerca da pobreza, que é o resultado da desigualdade social e da péssima distribuição de renda, e até a própria condição que nós mesmos nos colocamos numa sociedade altamente consumista. Em suma podemos dizer que o documentário mostra de forma contundente como é o sistema político-econômico em que vivemos e quais as consequências advindas dele.

            Ilha das Flores é um documentário de 1989, 22 anos atrás. É impressionante como continua perfeitamente atual. É alarmante, na realidade. Em 22 anos, nada mudou nesse sistema, e continuamos vivendo seguindo essa lógica, como se fosse a única alternativa de vida. Será? Até quando?

publicado por brpalavrassoltas às 20:34

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