Prisioneiros da crendice

 

 

                                                                                         Prisioneiros da crendice

                                                                                                                            Por: Bruno Rocha

 

Quando se fala em prisioneiro, usualmente se associa a expressão para qualificar os indivíduos cuja liberdade foi privada por um Estado, pelo fato destes terem desrespeitado as leis que preveniam o que é considerado delinquente ou perigoso para o regime governante. Porém a expressão poderá também ser usada para qualificar aqueles indivíduos que se apegam a uma determinada crença/mito, não porque a desrespeitaram mas sim pelo fato de se deixarem dominar de tal forma por ela,que esta passa a fazer parte do seu quotidiano. O mito se compõe do conjunto de crenças e superstições de uma determinada cultura, se constituindo como um fenómeno cultural complexo que pode ser encarado de vários pontos de vista. Em geral é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura. A narração mítica tem uma natureza integradora, prova disso é o mito que narra à criação do mundo e como foram criados os seres humanos e os animais, incluindo deuses e processos sobrenaturais que é atribuído á religião, que até hoje, pelo menos no seio da nossa sociedade aqueles que são crentes a mencionam frequentemente, fazendo alusão, sobretudo ao suposto Deus e aos seus feitos e possíveis castigos. O engraçado é que o cabo-verdiano, pelo menos na minha experiência pessoal é um povo céptico, não aceitando algo como verdadeiro sem que se comprove. Tomemos como prova a crença em bruxas, qualquer pessoa que perguntada sobre a sua suposta existência responderá categoricamente que só acredita vendo. Aí pergunto, porque razão então se acredita no mito da criação do mundo e num suposto Deus, se nunca se comprovou? Na minha humilde visão, os cidadãos se deixam aprisionar pelo mito religioso da criação do mundo por este possuir um carácter integrador que por muitas vezes na impossibilidade do crente explicar determinados aspectos da vida individual e cultural o elenca fazendo-o deste modo parte integrante do seu quotidiano.

publicado por brpalavrassoltas às 01:21