Quinta-feira , 24 de Fevereiro DE 2011

Prisioneiros da crendice

 

 

                                                                                         Prisioneiros da crendice

                                                                                                                            Por: Bruno Rocha

 

Quando se fala em prisioneiro, usualmente se associa a expressão para qualificar os indivíduos cuja liberdade foi privada por um Estado, pelo fato destes terem desrespeitado as leis que preveniam o que é considerado delinquente ou perigoso para o regime governante. Porém a expressão poderá também ser usada para qualificar aqueles indivíduos que se apegam a uma determinada crença/mito, não porque a desrespeitaram mas sim pelo fato de se deixarem dominar de tal forma por ela,que esta passa a fazer parte do seu quotidiano. O mito se compõe do conjunto de crenças e superstições de uma determinada cultura, se constituindo como um fenómeno cultural complexo que pode ser encarado de vários pontos de vista. Em geral é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura. A narração mítica tem uma natureza integradora, prova disso é o mito que narra à criação do mundo e como foram criados os seres humanos e os animais, incluindo deuses e processos sobrenaturais que é atribuído á religião, que até hoje, pelo menos no seio da nossa sociedade aqueles que são crentes a mencionam frequentemente, fazendo alusão, sobretudo ao suposto Deus e aos seus feitos e possíveis castigos. O engraçado é que o cabo-verdiano, pelo menos na minha experiência pessoal é um povo céptico, não aceitando algo como verdadeiro sem que se comprove. Tomemos como prova a crença em bruxas, qualquer pessoa que perguntada sobre a sua suposta existência responderá categoricamente que só acredita vendo. Aí pergunto, porque razão então se acredita no mito da criação do mundo e num suposto Deus, se nunca se comprovou? Na minha humilde visão, os cidadãos se deixam aprisionar pelo mito religioso da criação do mundo por este possuir um carácter integrador que por muitas vezes na impossibilidade do crente explicar determinados aspectos da vida individual e cultural o elenca fazendo-o deste modo parte integrante do seu quotidiano.

publicado por brpalavrassoltas às 01:21
Segunda-feira , 21 de Fevereiro DE 2011

Presumidamente inocente

                                                                           

 

 

 

  Presumidamente inocente

 

                                                                                                        Por: Bruno Rocha

 

A sociedade tem o mau hábito de julgar e condenar previamente sem conhecer os fatos um indivíduo que está sendo alvo de determinado processo, chegando mesmo a fazer juízos de valor sobre o processado antes mesmo da prolação da sentença judicial. A sociedade não leva em conta o princípio da presunção da inocência, pela qual todos são inocentes até se provar o contrário.Raramente passa pela cabeça daqueles que condenam previamente  o pressuposto criminoso ou infrator o fato de que as testemunhas do suposto crime/infração possam estar enganadas ou mesmo erradas, pois não passam de seres humanos, e errar é humano.Mas o meu escopo aqui é o de fazer com que a população pare com esse seu hábito de julgar e condenar previamente sem o conhecimento de todos os fatos o de ajuizar valores sobre os pressupostos criminosos, pois o direito não é uma ciência exata,e o resultado esperado poder não ser o que a sociedade desejava.Assim sendo, todos são presumidamente inocentes até se provar o contrário.

publicado por brpalavrassoltas às 00:54

In ambíguo

 

 

 

In ambíguo

 

 

Por: Bruno Rocha

 

O ser humano está constantemente buscando soluções para os seus diversos problemas. Quando estes dizem respeito ao seu plano espiritual o homem, imediatamente se dirige ao seu líder espiritual, para que este o possa indicar que caminho seguir, qual a solução.Para um padre , para qualquer problema que exista há uma solução universal – a fé.Ou seja, independentemente do problema ele possuí uma regra única, mostra os mandamentos e a fé. A pessoa pode estar com falta de dinheiro ou ter brigado com a esposa ou, perdido o emprego, então procura o padre; o que ele faz?Ele lhe dá os mandamentos e os segredos da fé e resume tudo em uma frase: ´´ creia na palavra do senhor ´´. Porém, quando nos voltamos para outras áreas , como, por exemplo, o direito, não existe uma única solução para o mesmo caso. Ou seja, jamais um advogado dirá ao seu cliente que o caso tá ganho, pois existem várias soluções para um mesmo caso. Aí pergunto como é possível então que um padre, que nada entende de defesas, de finanças ou de construção civil, dê uma solução única para casos diferentes?  Será então a fé, a solução universal para  todo os problemas da humanidade?

publicado por brpalavrassoltas às 00:45

Uma difícil vida fácil

                                                                                              Uma difícil vida fácil

 

                                                                                                         Por: Bruno Rocha

 

Apesar de ser taxada comummente de a profissão mais antiga do mundo, e de ter implicações nos planos religiosos e económicos, a prostituição ainda é uma prática socialmente condenável. Os esforços para controlar a prática tendem a se concentrar em torno de dois objectivos contraditórios: a tentativa de confinar a prostituição em uma actividade legal, invertendo a imagem das prostitutas como viciadas ou moralmente corruptas; e o esforço de eliminar a prostituição totalmente, baseada na moral ou na saúde. Vários são os factores que conduzem um indivíduo á prática, embora a possibilidade de abusos sexuais na família figure entre os de maior avaliação de muitos psicólogos. Porém, em muitos casos, é uma opção consciente, motivada várias vezes por uma difícil realidade encarada no dia a dia pela (o) prostituta (o), que na impossibilidade de encontrar um emprego digno, devido ás suas deficiências, tanto literárias como técnicas, opta por uma forma mais fácil ´´ de angariar um dinheiro. Não que seja uma facilidade exercer a prostituição, pois a prática é condenada socialmente, tornando-se deste modo uma difícil maneira de ganhar a vida facilmente.

publicado por brpalavrassoltas às 00:41
Quinta-feira , 17 de Fevereiro DE 2011

Autonomia de jure, mas dependência de fato

Autonomia de jure, mas dependência de fato

             Por: Bruno Rocha

 

 

 

Um dos grandes debates no mundo atual é se o homem tem o direito de escolher se quer continuar vivo, ainda que sofrendo, ou se deseja dar fim à própria vida.Se desejar a segunda hipótese,estaremos diante de uma situação de eutanásia, que do ponto de vista jurídico, consiste em provocar voluntariamente a morte de um doente terminal para minorar seu sofrimento físico e evitar-lhe morte dolorosa.A prática consiste em ministrar drogas farmacêuticas ou outras substâncias que aliviem a dor,ainda que com elas se abrevie a vida. Tal ato é um dos grandes dilemas ético-jurídicos da contemporaneidade.             Não podendo falar nele sem se mencionar a bioética ou o biodireito. A primeira, nada mais é que o campo da ética, nascida há mais de 60 anos, que tem por objeto a regulação principio lógica das pesquisas/técnicas médicas voltadas aos seres humanos, enquanto que o biodireito é o ramo do direito que estuda as normas reguladoras da conduta humana perante os avanços tecnológicos voltados para a medicina e a produção de alimentos. Para que você caro leitor compreenda melhor o título,vale aqui contrapor 2 princípios bioéticos, quais sejam, a autonomia da vontade e a beneficência.De acordo com o 10princípio supra citado, se o ser humano é livre, ele pode livremente consentir ou não que uma determinada técnica seja aplicada nele;sob essa ótica, a eutanásia seria legal, pois traduziria a vontade do enfermo,porém segundo o princípio da beneficência qualquer técnica que venha a ser aplicada deve sempre visar melhoramento e a proteção do bem maior – a vida , logo,a eutanásia não seria um melhoramento, porque dele se pretende suprir o bem maior, bem que se observar-mos do ponto de vista do enfermo que está sofrendo, a morte poderá ser entendida como um melhoramento – término do sofrimento, mas isso já é uma outra discussão.

 

 

 

 

 

publicado por brpalavrassoltas às 20:45
Quarta-feira , 16 de Fevereiro DE 2011

Trampolim

Trampolim

Por :Bruno Rocha

 

 

 

 

O deslocamento de indivíduos de um país para outro, de forma permanente ou temporária, geralmente devido a factores económicos, trabalhistas, sociológicos e políticos, não é novidade para o cabo-verdiano. O fenómeno emigratório sempre fez parte do dia a dia das famílias cabo-verdianas.Porém, ultimamente, tal fenómeno vem ganhando mais proporção ao nível desportivo. Depois do ouro conquistado pela selecção nacional de futebol na categoria sub 21 nos últimos jogos da lusofonia em Lisboa, o interesse de clubes e entidades estrangeiras por jovens futebolistas nacionais cresceu gradualmente. Em Cabo Verde, o futebol é, a todos os níveis, a mais importante modalidade desportiva, abrangendo todos os municípios do país.O êxito da selecção sub 21, fez com que, mais jovens que actuam nos campeonatos nacionais elevassem as suas aspirações e consequentemente elevaram as exibições,despertando desse modo, o interesse de clubes estrangeiros. O sonho de se tornar jogador profissional e de actuar na Europa é o escopo de qualquer praticante da modalidade, mesmo que tal se concretize num clube de pequeno porte, pois no fundo o seu escopo primordial é a obtenção de melhores condições de vida. Sob essa óptica cada vez mais são os jovens que vem se destacando nos seus campeonatos nacionais esperando por uma oportunidade de se aventurar no velho continente assim como faziam os seus antepassados embora por outros meios.

publicado por brpalavrassoltas às 03:32
Terça-feira , 15 de Fevereiro DE 2011

Á Frente do seu tempo

Á Frente do seu tempo

Por: Bruno Rocha

 

 

 

Na Grécia antiga, a filosofia era uma forma de vida, porém no nosso quotidiano ela passou a ser uma actividade puramente teórica, seja de estudo de sua história ou de uma discussão sobre conceitos. Sob essa óptica, é cada vez mais frequente indagações tais como, para que serve a filosofia?Ou para quê estudá-la? Isso se deve muito á marcante presença céptica na natureza humana, que por vezes dúvida do que, geralmente, é aceito como verdade. Não que a maioria duvide da filosofia, mas muitos não entendem a necessidade do seu estudo,e aplicabilidade de seus conceitos e métodos, chegando muitas vezes a desmerecer os pensamentos dos seus grandes idealizadores, por entenderem que estes são retrógrados. A esses que assim pensam e para aqueles que ainda se encontram na dúvida, esclareço, que no meu ponto de vista, é fundamental, estudar os pensamentos de homens que estiveram á frente de seu tempo, para que possamos compreender determinados fenómenos  actuais. Pois já dizia Cícero ´´ a filosofia é o melhor remédio para a mente.´´ .

publicado por brpalavrassoltas às 04:58
Segunda-feira , 14 de Fevereiro DE 2011

Liberdade de expressão não é liberdade para a difamação

Liberdade de expressão não é liberdade para a difamação

 

Por: Bruno Rocha

 

 

 

A liberdade de expressão, se traduz , como sendo um direito imputado ao indivíduo de expor seus pensamentos , por intermédio da palavra, da escrita ou por qualquer outra forma de propagação sem restrições, ordens, autorizações prévias ou censura por parte da autoridade.Muitos indivíduos se aproveitam dessa liberdade para criar a desordem social, levando muitas vezes a originar conflitos. Porém, temos que saber que, mesmo que na seu conceito esteja incutido a expressão sem restrição, ela possui limites , que a própria lei estabelece. Uma dessa restrições legais é o respeito aos direitos da honra, intimidade e fama dos demais, incluídos no rol dos crimes contra a honra onde se encontra a difamação.Essa deve ser entendida como a conduta adoptada por um determinado indivíduo ou indivíduos ,consistente em divulgar ou publicar manifestações concernentes a uma pessoa que a desacreditam, menosprezam ou desmerecem em sua fama.Assim como também os direitos da sociedade em seu conjunto de que não se divulguem opiniões ou pensamentos atentatórios á ordem pública ou á ordem de convivência estabelecida. Em suma, os indivíduos devem estar cientes de que a liberdade de expressão, apesar de ser a manifestação livre do pensamento nunca deve atentar a ordem pública ou a honra individual.

publicado por brpalavrassoltas às 02:09

Verdade inglória

Verdade inglória

               Por:Bruno Rocha

 

 

Desde criança que nos ensinam que devemos falar sempre a verdade, não importando a repercussão que esta possa vir a ter.Ou seja, ela é tida como o valor fundamental, base de qualquer relação humana.Apesar de ser importante, a verdade, não é o único valor. É preciso ver que outros valores são pelo menos tão importantes quanto a verdade. Noutro dia, assistindo ao filme bastardos inglórios, que retrata a ocupação germânica na França, durante o nazismo, uma cena me despertou atenção em relação á superioridade da verdade em relação aos outros valores.Trata-se de um caso típico da época nazista, onde um homem esconde seus vizinhos judeus em baixo da sua casa, e um soldado nazista , buscando judeus, pergunta-lhe se ele esconde um judeu. Nesse caso,parece-me que dizer a verdade não é o mais importante,pois a vida de uma pessoa injustamente perseguida por um regime totalitário , é mais importante. Sendo assim, e mesmo sabendo que alguns cientistas ainda afirmem que a verdade é o valor fundamental, não devemos sempre colocá-la em frente dos outros valores, porque apesar de ser muito importante , não é a única.

publicado por brpalavrassoltas às 00:10
Domingo , 13 de Fevereiro DE 2011

Escultores da alma

Escultores da alma

               Por: Bruno Rocha

 

 

 

A religião, no geral deve ser entendida como um sistema de crenças que estabelece e regula as relações entre os seres humanos e as divindades. A palavra aplica-se aos sistemas que comportam fé numa crença, obediência a um determinado código moral e participação em cultos. A religião é, portanto, fé comunitária e consiste em três elementos: a crença, o código e o culto ou liturgia. Crença é a fé na revelação de Deus. Código é o sistema de leis morais, coligidas pelos homens, que comportam sanções e autorizações divinas. Culto é o ritual onde a comunidade coloca sua consciência em harmonia com a mente de Deus. A salvação é o objetivo final da religião, a síntese suprema, já que aceita a integração do ser humano à comunidade divina. Sob essa ótica e aproveitando-se da ingenuidade dos crentes ,determinados líderes religiosos colocam a divindade como o único meio para se alcançar a salvação,fazendo com que, deste modo, a figura de Deus seja associada ao  amor e a misericórdia tendo como escopo a redenção de toda a humanidade.E sendo o ser humano um ser naturalmente egocêntrico e soberbo , se deixa levar por esses escultores de alma que lhes prometem um lugar ao lado do criador em troca de determinadas contribuições. Isto faz com que a crença deixe de ser algo real e passe a ser comercial, onde líderes religiosos disputam fiéis como se se trata de uma bolsa de valores, onde se compra e se vende ações.

 

publicado por brpalavrassoltas às 00:11

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