Mídia, Justiça e construção social da realidade

Mídia, Justiça e construção social da realidade

                                                  Por: Bruno Rocha

 

A mídia é encarada pela Justiça como reconstrutora da realidade social. De época para época, as divergências entre os juízes e os jornalistas, não param de aumentar; mas é errado ver a mídia como a inimiga natural da Instituição Judiciária, a imprensa e os meios audiovisuais podem fazer um trabalho essencial, levando a que as pessoas conheçam melhor uma Instituição; já que para a grande maioria, a forma como estas funcionam é ignorada. Os mediadores entre a justiça e o público, são normalmente os jornalistas de investigação, pois os tribunais caracterizam-se por grande secretismo; se um julgamento tem necessidade de claridade, para o público, são os media, em última análise, que muitas das vezes, transpõem barreiras e nos dão acesso à informação. Nem o poder judicial, nem o poder mediático, possuem legitimidade própria; juízes e jornalistas não são mais que profissionais; os juízes, agentes de um serviço público necessário á vida da sociedade e os jornalistas, por sua vez são os mediadores de opinião; ou seja, os Juízes são os guardas da liberdade individual, e os jornalistas os portadores necessários do direito de comunicar as ideias e as informações.

Sistemas de produção da verdade

Tanto os jornalistas como os juízes vivem no mundo da concorrência sobre um terreno - “o da verdade", porém, antes de produzir a verdade é preciso conhecê-la; cabe aqui ressaltar que para a produção dessa verdade pressupõe a existência de três elementos, a temporalidade que serve tanto para a mídia como para o judiciário, a fonte que cabe á mídia e a testemunha que cabe ao judiciário. O jornalista procura a verdade, tem como missão rebuscar os segredos, de fazer sair os defeitos do labirinto, no fundo daquele, que estão colocados, querem ter o direito de tudo revelar, de dizer o que muitos querem esconder; esquecendo de que certos segredos são necessários á investigação, aos direitos das pessoas, ou mesmo, á segurança pública. Tanto a mídia como o judiciário reconstroem um fato histórico no processo de produção do seu produto final`, que para mídia seria a notícia e para o judiciário a sentença.

A temporalidade é extremamente essencial para o funcionamento do judiciário; essencial, porque os processos judiciais apesar dos progressos a que têm vindo a ser alvo ainda são muito lentos, há uma necessidade de combater essa morosidade, pois apesar de ter havido certa evolução da sociedade o judiciário continuou lento isto faz com que se torne necessário uma reforma no judiciário para que este seja mais sério e mais rápido.

Ambas as verdades antes de serem produzidas, necessitam de conhecer os fatos, no judiciário, o juiz necessita de conhecer os fatos para produzir a sentença, e a mídia por sua vez também necessita de conhecer os fatos para produzir a notícia.

Reprodução de estereótipos

A par do poder judiciário que legaliza as desigualdades politicamente conotadas, os media perpetuam junto da opinião pública a imagem de que os criminosos são indivíduos pobres, fora do normal, maldosos, e as vítimas sujeitos vulneráveis, e ao bombardearem-nos com constantes e reais relatos de criminalidade em bairros pobres, contribuem para que tal conotação seja mais freqüente.

O poder da informação é ao mesmo tempo, real e ilusório; real porque a informação é um dos fatores de transformação na sociedade contemporânea; ilusória porque a tendência para a concentração dos meios de comunicação nas mãos de detentores do poder político e econômico transforma o público num receptor passivo, gerando por vezes unanimidade que não traduz os desníveis sociais e as injustiças que lhe dão origem.

A mídia como porta voz do cidadão – dar voz ao público e informar acerca dos fatos

O homem tem necessidade de informação sobre a realidade para ajudá-lo a transformá-la; é nesta perspectiva que o jornalista deve produzir e difundir o material informativo. Os média constroem a realidade, segundo uma série de constrangimentos, como o tipo de media, as audiências, o papel dos jornalistas, etc., importando, porém, ter presente que tal afeta o entendimento do público, neste caso particular, daquilo que é o sistema de justiça.

Como pontos desfavoráveis, a cobertura mediática é frequentemente, associada ao fomento da imparcialidade, pelo peso da opinião pública; invasão da privacidade; e suscita efeitos prejudiciais pela publicidade pré. Tribunal.

A questão dos direitos de privacidade das vítimas de crime parece, muitas vezes, anulada pela divulgação da informação como um bem econômico, em que o desejo de vender informação leva á sujeição das vítimas a circunstâncias que contribuem para enaltecer os seus sentimentos de violação, desorientação e perda de controlo.

Uma notícia, para o ser enquanto tal deve, muitas vezes, a sua existência, não ao que diz sobre o crime, mas ao fato de os crimes poderem conter algo que suscite interesse aos leitores.

É fundamental compreender o papel dos media, nomeadamente da imprensa escrita, na "produção" da realidade social, pela indicação, daquilo em que os leitores devem pensar, levando os mesmos a identificar os seus interesses com os definidos pelos media. .

O que se pode afirmar é que os jornais procuram vender, garantindo a diferença do seu produto a partir da configuração sensacionalista ou tipo de crime focado, e não estando á procura da divulgação da informação daquilo que se passou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por brpalavrassoltas às 18:44